Lenacapavir: injeção semestral pode ampliar a prevenção do HIV na América Latina e abrir caminho para produção no Brasil

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Novo acordo entre a OPAS e a Gilead Sciences inclui o Brasil entre 14 países que poderão ter acesso ao lenacapavir para prevenção do HIV. Iniciativa também prevê avanço de um processo de transferência de tecnologia para possível produção nacional.

Uma nova estratégia de acesso pode ampliar as opções de prevenção do HIV na América Latina e no Caribe. O lenacapavir, medicamento injetável de ação prolongada administrado duas vezes ao ano, será incluído em uma iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para facilitar o acesso à tecnologia na região.

O anúncio foi feito pela OPAS em 15 de setembro de 2026, a partir de um acordo com a Gilead Sciences. Ao todo, 14 países, incluindo o Brasil, poderão adquirir o medicamento por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da organização, sempre de acordo com os processos regulatórios e programáticos de cada país.

A novidade chama atenção não apenas pela frequência semestral das aplicações. O acordo também abre uma perspectiva para que o lenacapavir possa futuramente ser produzido no Brasil, por meio de um processo de transferência de tecnologia que ainda está em desenvolvimento.

O que é o lenacapavir?

O lenacapavir é uma opção de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de ação prolongada.

A PrEP é uma estratégia de prevenção destinada a pessoas que não têm HIV e que podem estar expostas ao vírus. O objetivo é utilizar medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção pelo HIV.

A principal característica do lenacapavir nesse contexto é sua forma de administração: uma aplicação injetável a cada seis meses.

Essa frequência diferencia o medicamento da PrEP oral diária e também de outras opções injetáveis de ação prolongada. Segundo a OPAS, a existência de diferentes alternativas pode ajudar a atender necessidades e preferências distintas e contribuir para estratégias de prevenção mais centradas nas pessoas.

Por que uma injeção a cada seis meses pode fazer diferença?

Uma das questões importantes na prevenção do HIV é a manutenção da estratégia preventiva ao longo do tempo.

Para algumas pessoas, seguir um esquema que exige uma frequência maior de administração pode representar uma dificuldade. Uma opção que requer apenas duas aplicações ao ano pode, nesse contexto, oferecer uma alternativa com menor frequência de administração.

Isso não significa que o lenacapavir seja necessariamente adequado para todas as pessoas. A escolha da estratégia de prevenção depende da avaliação individual e dos protocolos adotados pelos sistemas de saúde.

A proposta, portanto, não é substituir todas as formas existentes de prevenção, mas ampliar o conjunto de alternativas disponíveis.

A própria OPAS destaca que o lenacapavir passa a integrar um cenário que também inclui PrEP oral diária ou sob demanda, cabotegravir de ação prolongada e preservativos, além de diagnóstico precoce e acesso oportuno ao tratamento antirretroviral.

Lenacapavir já está disponível para prevenção do HIV no Brasil?

O anúncio da OPAS não significa que o medicamento já esteja disponível para prevenção do HIV em todo o Brasil.

O acordo estabelece uma nova via para que o país possa adquirir o lenacapavir por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da OPAS. Entretanto, a incorporação aos programas nacionais ocorrerá progressivamente e dependerá de processos regulatórios, protocolos clínicos, capacitação de profissionais e planejamento dos sistemas de saúde.

Portanto, é importante diferenciar duas situações:

O que já foi anunciado: o Brasil está entre os 14 países que poderão adquirir o lenacapavir por meio da nova estratégia da OPAS.

O que ainda depende de etapas futuras: a efetiva implementação da estratégia no país e sua incorporação aos programas nacionais.

Essa distinção é especialmente importante quando se fala em medicamentos e tecnologias de saúde, porque a existência de um acordo internacional não significa, automaticamente, disponibilidade imediata para a população.

Quais países estão incluídos na iniciativa?

Além do Brasil, a estratégia anunciada pela OPAS contempla:

  • Argentina;
  • Chile;
  • Colômbia;
  • Costa Rica;
  • Equador;
  • El Salvador;
  • Guatemala;
  • México;
  • Panamá;
  • Paraguai;
  • Peru;
  • Uruguai;
  • Venezuela.

Esses países poderão utilizar os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS para a aquisição do lenacapavir, observando os respectivos processos regulatórios e programáticos nacionais.

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O lenacapavir pode ser produzido no Brasil?

Essa é uma das perspectivas mais relevantes do novo acordo.

Segundo a OPAS, a Gilead Sciences se comprometeu a avançar em um processo de transferência de tecnologia no Brasil, com o objetivo de possibilitar a produção local do lenacapavir no futuro.

Entretanto, o processo ainda está em desenvolvimento.

A organização informa que os mecanismos específicos e os prazos ainda não foram definidos. Portanto, não é correto afirmar que o medicamento já será produzido no país ou que exista uma data prevista para o início da fabricação nacional.

Se essa transferência de tecnologia avançar, a produção local poderá ter implicações que vão além da fabricação propriamente dita.

O que uma eventual produção nacional pode representar para a indústria farmacêutica?

A possibilidade de fabricação do lenacapavir no Brasil também coloca em evidência diferentes áreas da cadeia farmacêutica.

Uma eventual produção nacional de uma tecnologia desse tipo envolve uma série de etapas técnicas e regulatórias, que podem incluir Assuntos Regulatórios, produção, controle de qualidade, garantia da qualidade, pesquisa e desenvolvimento e cadeia de suprimentos.

O próprio acordo anunciado pela OPAS está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da capacidade regional de produção de tecnologias em saúde.

Ainda não é possível determinar quais seriam os impactos concretos de uma eventual fabricação brasileira sobre preços, disponibilidade ou acesso. Esses efeitos dependeriam de como o processo de transferência de tecnologia seria estruturado e implementado.

Por que o acesso ao lenacapavir está sendo ampliado?

A iniciativa ocorre em um cenário no qual a prevenção do HIV continua sendo um desafio na América Latina e no Caribe.

Segundo a OPAS, aproximadamente 140 mil novas infecções pelo HIV ocorrem a cada ano na região. A organização destaca que ampliar o acesso a opções eficazes e aceitáveis de prevenção é necessário para reduzir novas infecções.

Nesse contexto, a disponibilidade de uma opção de longa duração pode representar mais uma ferramenta dentro das estratégias de prevenção.

A OPAS também informa que a Organização Mundial da Saúde recomendou o lenacapavir, em 2025, como uma opção adicional de prevenção do HIV, após resultados de ensaios clínicos que demonstraram eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção pelo HIV.

O lenacapavir substitui a PrEP oral?

Não.

A proposta é ampliar as opções de prevenção, e não estabelecer que uma única alternativa seja adequada para todas as pessoas.

A PrEP oral continua fazendo parte das estratégias disponíveis. O cenário também inclui outras ferramentas, como o cabotegravir de ação prolongada e os preservativos.

A OPAS destaca justamente a importância de oferecer diferentes possibilidades, considerando que necessidades e preferências podem variar entre as pessoas.

Essa abordagem também ajuda a entender por que o acesso ao lenacapavir é considerado relevante: uma nova alternativa pode ampliar as possibilidades de prevenção para determinados grupos e contextos.

O que muda para o Brasil neste momento?

O principal efeito imediato do anúncio é a abertura de uma nova possibilidade de aquisição e acesso ao lenacapavir por meio da estrutura regional da OPAS.

O Brasil está formalmente entre os países contemplados pela iniciativa. Ao mesmo tempo, sua implementação dependerá das etapas nacionais necessárias.

Em paralelo, existe uma segunda frente de longo prazo: o avanço de um processo de transferência de tecnologia que poderá levar à fabricação do medicamento no país.

São, portanto, duas perspectivas diferentes:

acesso por meio de aquisição regional no curto e médio prazo e possível capacidade de produção nacional no futuro.

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Fontes consultadas

Esta matéria foi elaborada a partir das informações divulgadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da matéria publicada pelo G1.

A OPAS é a principal fonte institucional sobre o acordo porque detalha os 14 países contemplados, os Fundos Rotatórios Regionais, o processo de transferência de tecnologia no Brasil e as condições para a implementação nacional.

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