Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) enfrentam diversos desafios durante o tratamento. Além da doença que motivou a internação, outro problema pode surgir de forma silenciosa: a rápida perda de massa muscular.
Um estudo publicado na revista JAMA mostrou que pessoas em estado crítico podem perder uma quantidade significativa de músculos já na primeira semana de internação, especialmente quando permanecem imobilizadas por vários dias.
O que os pesquisadores descobriram?
O estudo acompanhou pacientes internados em UTI e avaliou a musculatura das pernas utilizando exames de ultrassom e análises do tecido muscular.
Os resultados mostraram que a perda de massa muscular começa muito cedo, logo nos primeiros dias da doença grave. Em apenas uma semana, alguns pacientes apresentaram redução de aproximadamente 15% a 20% da massa do músculo da coxa, principalmente aqueles com falência de múltiplos órgãos.
Além da diminuição do volume muscular, os pesquisadores observaram que o organismo passa por um processo acelerado de degradação das proteínas que formam os músculos, enquanto a capacidade de produzir novas proteínas fica reduzida.
Por que isso acontece?
Durante uma doença grave, o organismo concentra seus esforços em manter o funcionamento dos órgãos vitais e combater a inflamação. Nesse processo, ocorre um aumento do consumo das reservas de proteínas presentes nos músculos.
Outro fator importante é a imobilidade. Pacientes sedados ou que permanecem muito tempo sem movimentação acabam utilizando menos a musculatura, o que acelera ainda mais sua perda.
Quais podem ser as consequências?
A perda muscular pode dificultar a recuperação após a alta hospitalar.
Entre os possíveis impactos estão:
- diminuição da força física;
- dificuldade para caminhar ou realizar atividades do dia a dia;
- necessidade de um período maior de reabilitação;
- recuperação mais lenta da qualidade de vida.
Em alguns casos, os efeitos podem persistir por meses após a internação.
A importância da recuperação nutricional
Os autores do estudo destacam que compreender esse processo ajuda profissionais de saúde a desenvolver estratégias para preservar a musculatura dos pacientes críticos.
Atualmente, a combinação de nutrição adequada, fisioterapia precoce, mobilização sempre que possível e acompanhamento multiprofissional é considerada uma das principais formas de minimizar a perda muscular durante e após a internação.
Embora cada paciente tenha necessidades específicas, garantir um aporte adequado de proteínas e energia faz parte dos cuidados que contribuem para a recuperação do organismo.
O que esse estudo representa?
O trabalho ajudou a demonstrar, de forma objetiva, que a perda de massa muscular durante doenças graves ocorre muito mais rapidamente do que se imaginava anteriormente.
Essas descobertas estimularam novas pesquisas sobre nutrição clínica, fisioterapia intensiva e estratégias para reduzir os impactos da internação prolongada, buscando melhorar a recuperação e a qualidade de vida dos pacientes após a alta hospitalar.
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Fonte:
Puthucheary ZA, Rawal J, McPhail M, et al. Acute Skeletal Muscle Wasting in Critical Illness. JAMA. 2014;310(15):1591-1600.






